Operation Judgement – A Batalha de Taranto

Na noite de 11 para 12 de Novembro de 1940 a Marinha Real (Royal Navy) lançou um ataque contra a base naval de Taranto. Utilizando-se de aviões torpedeiros Fairey Swordfish, considerados praticamente obsoletos, este poderia ser apenas mais um dos inúmeros ataques da II Guerra Mundial não fosse o fato de ter sido o primeiro ataque aéreo lançado de porta-aviões no mundo.

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Histórico

Em 1940 as forças britânicas começaram a combater os italianos no Norte da África. Enquanto os italianos podiam suprir suas tropas com relativa facilidade, a situação logistica mostrou-se mais difícil para os britânicos, pois seus navios eram obrigados a atravessar quase todo o Meditarrâneo. Apesar dos britânicos controlarem as linhas marítimas no início da campanha, em meados de 1940 esta situação começou a se alterar com os italianos superando os britânicos em quantidade de navios de todos os tipos, exceto porta-aviões.
O primeiro ministro Winston Churchil ordenou que ações fossem tomadas para reduzir a força naval italiana antes que esta pudesse ser reforçada pelos alemães.
Desde a Crise de Munique em 1938 a Marinha Real havia concebido planos para um ataque aéreo contra a frota italiana baseada em Taranto. Este plano foi reativado em setembro de 1940 quando seu principal autor, Contra-Almirante Lumley Lyster juntou-se ao Almirante Sir Andrew Cunningham da Frota do Mediterrâneo com o novo porta-aviões HMS Illustrious.
Do lado italiano, a falta de uma aviação naval teve impacto nas defesas do porto, especialmente em relação as redes anti-torpedos.
Como a força aérea italiana não possuía bombardeiros torpedeiros dedicados ou uma doutrina para o seu emprego, eles não entendiam os requisitos para defesa contra este tipo de ataque. Por sua vez marinha italiana acreditava que torpedos lançados do ar não seriam eficazes nas águas rasas de Taranto e portanto acreditava que seus navios estavam relativamente seguros. O que os italianos não sabiam era que os britânicos já haviam superado este problema.

swordfish

Aviões na Noite:

Na noite de 11 de Novembro o sobrevoo de um Short Sunderland confirmou que os navios italianos se encontravam no porto. Esta aeronave acabou sendo localizada, alertando as defesas italianas. Porém a falta de um radar não permitiu que estes detectassem o ataque iminente.
Os 21 Swodfish foram lançados em duas ondas, a primeira as 20:40 e a segunda as 21:34. Onze Swordfish estavam armados com torpedos, os restantes transportavam bombas de 250 lbs e alguns transportavam também flares (iluminadores). O objetivo destes últimos era lançar os flares de forma a realçar a silhueta dos couraçados italianos para os aviões torpedeiros.
Aproximando-se do porto vindo do sudoeste as 22:58, a primeira onda de 12 Swodfish encontrou os 6 couraçados, 7 cruzadores pesados, 2 crusadores leves e 8 destróires ancorados no porto. Quando eles começaram o ataque o céu ficou iluminado pelos flares e pelo intenso, mas ineficaz, fogo da artilharia aintiaérea.
A segunda onda de ataque se aproximou do porto vindo de noroeste, por volta da meia noite e após efetuar seu ataque retornou ao porta-aviões.
Ao todo os britânicos lançaram 11 torpedos. O Littorio foi atingido por três, Duilio e Cavour por um cada. Vários torpedos ficaram presos na lama do fundo do porto. Das sessenta bombas lançadas, um quarto não explodiu, incluindo as bombas que atingiram o cruzador Trento, o destróier Libeccio e dois navios auxiliares. Outras bombas causaram danos as intalações do porto. Apenas dois Swordfish foram perdidos durante o ataque.
As aeronaves atacantes retornaram ao Illustrious e suas tripulações estavam ansiosas para repetir a operação na noite seguinte, de acordo com o plano original. Porém, previsões de mau tempo fizeram com que Cunningham desistisse da idéia e o Illustrious e sua escolta se retiraram sem serem detectados e reagruparam com resto da frota.

Mapa da Batalha - 11 de Novembro de 1940

Mapa de Taranto na noite de 11/11/1940 mostrando os navios, as defesas e a direção dos ataques

Resultado

Em 12 de Novembro os couraçados que podiam navegar – Giulio Cesare, Vittorio Veneto e Andrea Doria – foram transferidos para Nápoles. Enquanto isto, iniciaram as operações de salvamento daqueles danificados. O Littorio e o Duilio puderam ser movidos em poucos dias para instalações de reparos. O Littorio ficou pronto para navegar no final de março de 1941 e o Duilio em meados de maio. O Cavour ficou encalhado após os ataque com torpedos, ele voltou a flutuar em Julho de 1941 e foi rebocado para Trieste para ser reparado, mas os trabalhos não foram concluídos antes do armistício.
Em uma noite e com a perda de apenas dois Swordfish, a Marinha Real havia reduzido pela metade a força de couraçados italiana, obtendo uma tremenda vantagem no Mediterrâneo.
O ataque a Taranto mudou a forma como muitos especialistas navais encaravam o ataque com torpedos lançados do ar. Antes de Taranto muitos acreditavam que era necessário águas mais profundas (30 m) para que o lançamento fosse bem sucedido. Para compensar a profundidade das águas do porto de Taranto (10 m) os britanicos modificaram seus torpedos e os lançaram de uma altitude muito baixa. Esta solução, assim como outros aspectos do ataque, foram extensivamente estudados pelos japoneses enquanto eles planejavam seu ataque a Pearl Harbor no ano seguinte.

Machinima mostrando o Ataque a Taranto

Referencias:

Battle Of Taranto: Swordfish Strike
The Attack At Taranto – Tactical Success, Operational Failure
The Attack on Taranto – Operation Judgement

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