IASF – Força Aérea e Espacial de Israel

Situado à margem oriental do Mar Mediterrâneo, Israel é um dos menores países do mundo e sua história tem sido bastante turbulenta. Sob domínio turco desde 1516, toda a região onde se situa Israel foi conquistada pelo general inglês Allenby em 1917 e teve sua existência formalizada como Palestina. Nessa época sua população era formada por dois grupos distintos, árabes e judeus. Após o fim da Segunda Guerra Mundial a ONU decidiu dividir a região ficando a parte oriental destinada ao novo Estado árabe da Jordânia, ao sul a área chamada de Sinai foi entregue ao império árabe do Egito junto com uma faixa costeira fortificada, a Faixa de Gaza e por fim, a área restante coube à população judia, sendo chamada de Estado de Israel. https://flightlevelzero.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gifAntes que o pavilhão britânico fosse baixado pela última vez, ao anoitecer de 14 de maio de 1948, ataques armados às posições judias misturavam-se gradualmente à guerra aberta, porém os judeus estavam proibidos de formar sua própria força de defesa. Assim foi formada uma força aérea clandestina, a Sherut Avir, que se utilizou de alguns aviões leves que estavam nas mãos dos judeus devido à permissão dos britânicos.

Bonanza

Cabides de bombas foram adaptados a este Bonanza no Negev em maio de 1948

À meia noite de 14 para 15 de maio, Israel apenas começava a existir e era invadido em todas as frentes, por forças do Egito, Líbano, Síria e Jordânia (a Legião Árabe). Esta força contava ainda com contingentes de países mais distantes como a Arábia Saudita, Iraque, Marrocos e Sudão. Ao que tudo indica os árabes estavam dispostos a destruir Israel antes que este pudesse constituir uma força de defesa, e mesmo após se tornar um Estado soberano e formar a sua força aérea, a Chel Ha’Avir, quase todos os países do mundo se recusavam a lhes fornecer armamentos.

Simpatizantes ingleses, norte-americanos e de outras nacionalidades, todos indubitavelmente judeus, juntaram-se às forças de defesa de Israel apesar de seus países de origem manter o estrito embargo a todas as formas de vendas de armas. Apesar disto em 16 de maio de 1948 a primeira aeronave de transporte chegou da Tchecoslováquia trazendo armas e equipamentos, e partiu na manhã seguinte. Era a primeira das centenas de pontes aéreas que seriam executadas. Para a Chel Ha’Avir a carga mais importante destes transportes eram os onze caças Avia S199 e seus tripulantes, o primeiro deles chegando à noite de 20/21. Embora baseados no formidável Messerchimitt Me-109G, os S199 foram equipados pelos tchecos com outro motor devido à indisponibilidade dos DB605, além de uma hélice diferente da original. Estas inovações não melhoraram a aeronave, ao contrário, os Avia S199 eram frequentemente muito mais perigosos para os seus pilotos que para o inimigo. Ainda assim, os S199 obtiveram sua primeira vitória em 03 de junho de 1948 contra um DC-3 egípcio que tentava bombardear Tel Aviv.

Modi Alon com um S199 persegue um C-47 que tentava bombardear Tel Aviv. Esta seria a primeira aeronave abatida pelos israelenses.

Com a chegada de um acordo negociado pela ONU em 11 de junho de 1948, a Chel Ha’Avir teve a oportunidade de se reorganizar e treinar. Em 09 de julho os israelenses iniciaram uma ofensiva no norte e leste para expulsar os árabes, mas os ganhos não foram os esperados e um novo acordo foi acertado no dia 19 de julho. Em 12 de agosto de 1948 o transporte aéreo a partir da Tchecoslováquia foi suspenso devido a pressões políticas. Posteriormente uma operação para transladar 50 Spitfires, que pertenciam a Tchecoslováquia, para Israel em vários lotes foi iniciada em setembro. Em outubro de 1948 uma nova ofensiva israelense forçou os egípcios a recuarem na região do Negev. O sucesso permitiu a Israel capturar a região da Galiléia.

Em 22 de dezembro de 1948, uma nova ofensiva israelense foi executada com o objetivo de forçar os egípcios para fora da região do Negev. Os aviões da Chel Ha’Avir novamente foram a ponta de lança do ataque. Desta vez os egípcios foram removidos do Negev e empurrados de volta para o Sinai, com a Chel Ha’Avir dominando o espaço aéreo. Após protestos internacionais a IDF se retirou para a fronteira entre Israel e Egito e bloqueou a Faixa de Gaza. Em 07 de janeiro de 1949 um cessar-fogo teve efeito, seguido da assinatura de um armistício em 24 de fevereiro de 1949. Um acordo similar foi feito com os outros países vizinhos.

Com o fim da guerra os voluntários não israelenses, que compunha grande parte do pessoal da Chel Ha’Avir, começaram a partir. Para compensar esta perda, foi criada uma Escola de Vôos para formar novos pilotos. Devido à necessidade de se construir um novo país, a força aérea recebeu pouca prioridade, sendo obrigada a racionalizar seu equipamento. As velhas e cansadas aeronaves leves e os caças S199 foram retirados de serviço, bombardeiros Mosquito, e caças P-51 e Spitfires foram adquiridos a preços baixos e em 1951 o nome Chel Ha’Avir foi substituído pela sigla IDF/AF (Força de Defesa de Israel/Força Aérea). Com uma força formada por jovens israelenses totalmente inexperientes a sua eficiência declinou, porém em 1953 o novo comandante da IDF/AF, General Dan Tolkovski, um veterano da RAF, reconheceu que Israel nunca poderia se igualar aos seus inimigos em termos de quantidade de equipamentos devendo, desta forma, ser uma força com qualidade superior.  Assim ele colocou uma grande ênfase em tornar a IDF/AF uma força profissional, bem organizada e altamente treinada. Novos equipamentos também foram obtidos como os caças a jato Meteor britânico e, a partir de 1955 devido ao embargo da Grã-Bretanha, EUA e Canadá, Israel se voltou para a França adquirindo os caças-bombardeiros Ouragan, seguido dos transportes Noratlas e dos caças Mystere IVA.

Em 1956 ataques terroristas cruzando a fronteira de Israel se tornaram comuns. Após um caça Vampire egípcio ser abatido sobre o Deserto de Negev em abril, e tropas árabes se concentrarem na fronteira entre os dois países, Israel lançou um ataque surpresa em outubro com a ajuda de forças anglo-francesas contra o Egito, tentando tomar o Canal de Suez. Muitas aeronaves egípcias foram destruídas ainda no solo pelo ataque da IDF/AF. O ataque anglo-francês propriamente dito teve início no dia 31 de outubro e logo todos os objetivos iniciais foram alcançados. Porém o aumento da pressão internacional forçou o fim prematuro do conflito e apesar do grande avanço obtido pelas forças terrestres de Israel, que haviam capturado boa parte do Sinai, um cessar fogo foi assinado com o subseqüente retorno às fronteiras anteriores a campanha sendo monitorado pela ONU.

Aeronaves francesas que formavam a linha de frente de Israel na década de 1960

O domínio inicial da superioridade aérea e a bem sucedida cooperação ar-terra elevaram o perfil da IDF/AF, encorajando novos desenvolvimentos. Logo a corrida armamentista no Oriente Médio voltou a intensidade original. Graças ao excelente desempenho das aeronaves francesas Israel adquiriu mais equipamentos. As aeronaves de combate a pistão remanescentes foram aposentadas e rapidamente substituídas pelos últimos modelos franceses como os Vautour, Magister e o Super Mystere. Para enfrentar os MiG-21, fornecidos pela União Soviética ao Egito, Síria e Iraque, os israelenses adquiriram o Mirage IIIC francês, com os primeiros exemplares entregues em maio de 1963. Paralelamente, foram reconhecidas as vantagens dos helicópteros de transporte de tropas em ações de contra terrorismo, ataques de forças especiais e na evacuação de baixas. Um punhado de Sikorsky S-55s foram rapidamente complementados com mais de 30 Sikorsky S-58. Cerca de uma dúzia de SA.321 Super Frelon francês foram posteriormente adicionados. Para o transporte de longo alcance e missões de reabastecimento em vôo, aeronaves Boeing Stratocruiser foram compradas e modificadas localmente pela IAI.

Mirage IIIBJ biplace lidera três Mirage IIICJ monoplaces

Durante os anos de 1960 o aumento no desvio da água do Rio Jordão e do Mar da Galiléia, com objetivo de irrigação, levou a uma acirrada disputa entre Israel e a Síria, a chamada Guerra pela Água. Em 07 de abril 1967 num combate aéreo de grande proporção sobre o Mar da Galiléia, sete MiG-21 sírios foram abatidos sem que os israelenses perdessem nenhum Mirage. O Egito então tirou vantagem desta distração e em 16 de maio de 1967 exigiu a saída das tropas da ONU da zona de segurança do Sinai. Simultaneamente Síria e Jordânia mobilizaram suas forças e em 20 de maio de 1967 tropas egípcias ocuparam Sharm el Sheikh e anunciaram um bloqueio aos navios israelenses. Sem o apoio dos “aliados” da Campanha do Sinai e com os EUA indiferentes a situação, Israel está novamente sozinho.

Super Frelon evacuando feridos na Guerra dos Seis Dias

Na manhã de 05 de junho de 1967, a IDF/AF lançou um devastador ataque preventivo. Virtualmente toda a força de aeronaves de combate foram utilizadas em repetidas surtidas contra as bases aéreas egípcias numa série de ondas de ataque. Ao conseguir um tempo de reabastecimento e rearmamento de apenas sete minutos por aeronave, os israelenses foram capazes de voar até oito surtidas por dia. Quase 300 aeronaves egípcias foram destruídas em dezessete bases, mais de dois terços no solo. No final do dia ataques similares foram executados contra bases na Jordânia, Síria e Iraque. Bombas de efeito retardado foram utilizadas para deixar as bases aéreas árabes fora de operação por mais tempo. Tendo eliminado as forças aéreas árabes, a atenção da IDF/AF passou a ser as forças blindadas que ameaçavam as fronteiras. Os combates cessaram em 10 de junho de 1967, depois das forças israelenses terem capturado todo o Sinai, a Cisjordânia e as Colinas de Golan. A vitória é tão enfática que desta vez não há exigências para a devolução dos territórios capturados. Ao mesmo tempo, as nações derrotadas não vêem motivos para uma paz permanente dada a disposição soviética para repor todo o equipamento perdido.

O momento da destruição de três MiG-21 sírios por Mirages israelenses

Sem as tropas estrangeiras, as forças egípcias e israelenses estão agora frente a frente nas margens do Canal de Suez e em março de 1969 o Egito declara a chamada “Guerra de Atrito” contra Israel. Mais de 1000 peças de artilharia foram posicionadas na área do canal e usadas para sistematicamente bombardear as posições israelenses. Para proteger estas armas, uma rede de SAM (Mísseis Superfície-Ar) foi instalada, com os MiGs sendo mantidos mais a retaguarda. As forças israelenses não estavam equipadas para uma guerra defensiva e estática e começam a utilizar suas aeronaves como uma espécie de artilharia voadora. Isto rapidamente cobra um preço alto tanto em aeronaves quanto em pilotos, com poucos ganhos como resultado. Além disto, os egípcios possuíam um suprimento quase ilimitado de mísseis enquanto os israelenses agora enfrentam um novo embargo de armas do seu principal fornecedor, a França. Durante os anos que precederam a guerra de 1967, pilotos e técnicos israelenses trabalharam em conjunto com os técnicos da Dassault para produzir uma versão simplificada do Mirage capaz de transportar uma carga de ataque mais pesada. Designados Mirage 5J e construídos de acordo com as especificações israelenses, 50 destes jatos já estavam pagos no outono de 1967, mas o presidente francês, Charles De Gaulle, não permitiu seu envio para Israel. Como se não bastasse, os franceses ainda venderam um grande número de Mirage 5, idênticos ao modelo israelense, ao Egito e a Líbia.

C-130 reabastece dois A-4 e dois F-4

Neste meio tempo os EUA aceitaram um pedido de compra em 1966 por parte de Israel para os A-4 Skyhawk, e a primeira aeronave foi entregue no final de 1968. Um forte lobby político rapidamente levou os EUA a se tornarem o principal fornecedor de armas de Israel. Assim uma boa quantidade de aeronaves C-130 e helicópteros S-65 foram entregues, mas a aeronave que os israelenses realmente queriam eram os F-4 Phantom II. A chegada desta aeronave em setembro de 1969 permitiu a IDF/AF executar ataques em profundidade contra o Egito, bem atrás da barreira de SAM colocada no Canal de Suez. Em resposta a eficiência destes ataques, a Rússia forneceu mais SAMs e armas antiaéreas guiadas por radar aos egípcios. Forneceu também cerca de 150 interceptadores MiG-21MF, a versão mais avançada até então, e pilotos russos se foram “voluntários” para pilotá-los. Durante junho e o início de julho de 1970, os caças pilotados pelos russos foram bem sucedidos ao interceptar vários ataques israelenses. Porém em 30 de julho de 1970, a IDF/AF executou uma bem planejada emboscada contra os pilotos russos e conseguiu abater cinco deles sem sofrer nenhuma perda. O aumento constante do conflito faz com que a Rússia e os EUA pressionem o Egito a um cessar-fogo, assinado em 08 de agosto de 1970. Israel concorda em não bombardear a artilharia e as posições SAM egípcias que em contrapartida concorda em não mover baterias SAM adicionais para as margens do Canal de Suez. Apesar disto, poucas horas depois do início do cessar-fogo Israel obteve provas de que o Egito havia quebrado o acordo, mas nada foi feito a respeito.

F-4E Phantom II (Kurnass)

Na primavera de 1973 as forças israelenses foram colocadas em alerta quando fontes da inteligência detectaram uma mobilização aparente dos exércitos sírio e egípcio. Depois de algumas semanas o alerta foi cancelado, gerando críticas do governo israelense. Em 13 de setembro de 1973 uma grande batalha aérea ocorreu sobre a costa síria. Treze MiG-21 sírios foram abatidos contra apenas um Mirage israelense perdido. No outono de 1973 as fontes de inteligência israelense detectaram uma nova mobilização das forças síria e egípcia, além disto, observaram que as famílias dos conselheiros militares russos estavam deixando o Egito. Apenas em 05 de outubro de 1973 foi emitido um alerta, limitado as forças regulares. Na tarde de 06 de outubro, dia em que se comemora o Yom Kippur (Dia do Perdão) no calendário judaico, forças do Egito e da Síria executaram um ataque surpresa com o objetivo de uma invasão em larga escala. Israel precisaria de 48 horas para mobilizar suas reservas e apenas a IDF/AF tinha condições de conseguir este tempo. Nos primeiros três dias da guerra, a IDF/AF concentrou seus esforços em apoiar as forças de solo que estavam sob forte pressão. Repetidos ataques aéreos israelenses contra as forças sírias nas Colinas de Gola e egípcias que cruzavam o Canal de Suez, foram executados sob pesado fogo antiaéreo em zonas de defesa aérea sobrepostas. Novos SAMs, cobrindo altitudes médias e altas forçavam as aeronaves atacantes a voarem baixo, que assim entravam no alcance letal dos canhões antiaéreos controlados por radar. As perdas foram pesadas, e ao término da guerra cerca de 20% de todas as aeronaves de combate israelense haviam sido destruídas. Uma gigantesca operação de ressuprimento dos EUA conseguiu repor as perdas iniciais e permitiu a IDF/AF a atacar as baterias de SAM e as bases aéreas inimigas. Ao mesmo tempo as forças de solo de israelense cruzaram o Canal de Suez e abriram um buraco na linha de baterias SAM que defendiam as linhas de suprimento egípcias. Com os egípcios sendo cercados e os sírios empurrados para fora das Colinas de Golan, um cessar fogo instituído pela ONU pôs fim as hostilidades em 24 de outubro de 1973.

Os F-16A foram os principais responsáveis pelo ataque a usina nuclear iraquiana

A contribuição da IDF/AF para a vitória na Guerra do Yom Kippur foi considerada crucial, porém esta vitória foi seguida pela explosão da atividade terrorista da OLP (Organização para Libertação da Palestina). Em 27 de junho de 1976, terroristas pró-palestinos seqüestraram um avião da Air France que fazia um vôo de Tel Aviv para Paris e o forçaram a pousar no aeroporto de Entebbe, em Uganda. Na noite de 03 de julho de 1976, quatro C-130 Hercules pousaram em Entebbe e num audacioso ataque surpresa, as forças especiais israelenses conseguiram resgatar todos os reféns. Israel foi o pioneiro no emprego de aeronaves VANT (Veículos Aéreos Não Tripulados), empregando-os em missões de reconhecimento sobre o Líbano e a Síria em 1978. O aumento dos ataques terroristas e dos bombardeios nas comunidades ao norte de Israel fez com que uma invasão limitada do sul do Líbano fosse iniciada em 14 de março de 1978. Sem ser confrontada pelos sírios, a IDF/AF concentrou seus ataques às bases terroristas. As forças israelenses se retiraram em 21 de março e foram substituídas por uma milícia de cristãos libaneses. Apesar disto, os ataques terroristas continuaram e Israel atacava regularmente alvos terroristas no Líbano até que a partir de abril de 1979 as aeronaves sírias começaram a enfrentar as aeronaves da IDF/AF resultando em vários combates aéreos e ataques contra as baterias de SAM sírias que duraram até um cessar fogo negociado pelos norte-americanos na primavera de 1981. Em 7 de junho de 1981, oito F-16A escoltados por seis F-15A efetuaram uma histórica missão de ataque de longo alcance contra o reator nuclear iraquiano de “Osirak”, localizado próximo a Bagdá. Chamada de Operação Ópera, todas as 16 bombas convencionais lançadas pelos caças israelenses atingiram o alvo, destruindo o núcleo do reator.

IAI Kfir marcou uma nova era na industria aeroespacial de Israel

Em abril de 1982, como resultado das negociações de Camp David, Israel devolveu a região do Sinai para o Egito. Em 05 de junho do mesmo ano, como resposta a onda de ataques contra alvos israelenses na Europa, Israel iniciou uma invasão em larga escala do Líbano com o objetivo de destruir as bases terroristas no país. Inicialmente operando em missões de apoio as tropas de solo, em 09 de junho a IDF/AF executou um ataque aéreo maciço contra as baterias SAM que defendiam as posições sírias no Vale de Bekaa, no Líbano. Usando sofisticados sistemas de interferência eletrônica, VANTs e ataques de precisão, a IDF/AF logrou destruir dezenove baterias SAM. Mais de cem caças sírios foram lançados para interceptar as aeronaves atacantes, mas sem radares de terra que pudessem guiá-los, muitos acabaram derrubados pelos caças israelenses no que se tornou a maior batalha aérea na história desde o final da Guerra da Coréia e que resultou na alegação de 22 aeronaves abatidas pelos israelenses contra nenhuma perda. Após as pesadas perdas em combate aéreo e com vasto uso de helicópteros antitanque contra os tanques sírios, um acordo de cessar-fogo foi assinado entre Israel e a Síria em 11 de junho de 1982. Os ataques aéreos contra os alvos da OLP, no entanto continuaram até 12 de agosto, quando a OLP concordou em sair do Líbano. Muitos soldados da OLP migraram para a Tunísia, onde montaram um novo quartel-general. Em setembro de 1985 Israel se retirou do Líbano e os ataques da OLP recomeçaram. Como represália, em outubro oito F-15 Eagle voaram 1280 milhas até a Tunísia e bombardearam o QG da OLP.

Soldados fazem rapel de um Bell 212

Com o começo da Intifada (levante) nos territórios palestinos em 1987 a IDF/AF passou a ter novas responsabilidades. O uso de helicópteros e VANTs foi ampliado para dar apoio as tropas de terra de modo a rapidamente identificar focos de problemas. A revolta terminou em 1991 quando um processo de paz começou a fazer progresso. Neste período com as mudanças políticas ocasionadas com o fim da União Soviética, a segurança regional voltou a se tornar mais instável e em agosto de 1990 o Iraque invadiu o Kuwait e ameaçou destruir Israel. Após o início da Guerra do Golfo em 17 de janeiro de 1991, um total de trinta e nove mísseis Scud foram disparados contra Israel com a maioria atingindo centros populacionais ferindo muitas pessoas e por sorte apenas duas pessoas morreram nestes ataques. Corajosamente Israel decidiu não retaliar aos ataques, evitando quebrar a coalizão entre os árabes e os países ocidentais que rapidamente libertaram o Kuwait. Posteriormente em maio de 1991 aeronaves israelenses transportaram cerca de 14 mil judeus etíopes daquele país devastado pela guerra para suas novas casas em Israel, a chamada “Operação Salomão”.

Depois da assinatura do Acordo de Oslo com os líderes da OLP em setembro de 1993, o terrorismo palestino foi substituído por uma nova ameaça a segurança de Israel. Como conseqüência da longa ocupação do Líbano um grupo fundamentalista islâmico chamado Hezbollah iniciou ataques contra patrulhas do exército israelense e ocasionalmente disparou foguetes contra assentamentos no norte de Israel. Em 11 de abril de 1996, a Operação “Vinhas da Ira” lançou uma série de ataques aéreos contra posições conhecidas do Hezbollah. Apesar disto, a melhoria das relações com os países vizinhos no final dos anos 1990 abriu novas oportunidades para a IDF/AF. Um acordo foi firmado com a Turquia para uso dos estandes de tiro turcos por aeronaves de combate israelenses. Também foram formadas ligações com a Força Aérea Jordaniana.

AH-64D Apache

Em setembro de 2000, uma nova e muito mais violenta Intifada irrompeu nos Territórios Palestinos. Esta foi acompanhada por novos ataques terroristas executados por grupos extremistas palestinos não ligados a Autoridade Palestina, principalmente o Hamas. Como as incursões terrestres se tornaram muito perigosas para os soldados israelenses, a IDF/AF foi ordenada a conduzir o assassinato de líderes terroristas usando mísseis lançados de helicópteros. Esta política não foi sempre bem sucedida e se tornou incrivelmente controversa, com alguns integrantes da força expondo publicamente seu descontentamento sobre a moral e a ética destas missões. A resposta dos líderes da IDF foi despedir aqueles que se opunham. Desde 2000, as “incursões” da IDF na Faixa de Gaza e na Cisjordânia se tornaram uma ocorrência corriqueira, com a intensidade das operações atingindo seu pico imediatamente após o seqüestro de um soldado israelense pelo Hamas. Finalmente em novembro de 2006 as unidades da IDF novamente se retiraram das áreas da Autoridade Palestina.

F-15I

Em 1 de junho de 2005 a IDF/AF foi renomeada Força Aérea e Espacial de Israel (Israel Air and Space Force – IASF), em reconhecimento a sua liderança no programa do satélite espacial israelense. Face aos contínuos ataques através da fronteira por unidades do Hezbollah contra assentamentos israelenses e patrulhas militares próxima a fronteira libanesa, em março de 2006 a IASF começou um plano para uma grande campanha de bombardeio com o objetivo afetar seriamente a organização e isolá-la dos seus apoiadores no Líbano. Apesar do planejamento incompleto, o repentino seqüestro pelo Hezbollah de dois soldados israelense em julho de 2006 levou a uma decisão política de se iniciar a campanha. A Segunda Guerra do Líbano como ficou conhecida viu a IASF conduzir cerca de 12000 surtidas de combate contra alvos no Líbano, estes incluíam fortificações conhecidas do Hezbollah, itens de infra-estrutura para pressionar o governo Libanês e alvos de oportunidade apontados pelos VANTs de reconhecimento. Tirando as unidades de artilharia, o exército israelense não estava preparado para o ataque, demorando algum tempo para preparar a ofensiva no sul do Líbano. Enquanto isto, um grande número de helicópteros transportando tropas especiais executou reides dentro do Líbano. A aparente incapacidade da IASF em impedir que o Hezbollah disparasse cerca de 4000 foguetes durante a guerra foi alvo forte crítica. A ONU conseguiu arranjar um cessar-fogo em 14 de agosto de 2006, no terceiro dia da ofensiva do exército.

F-16I

Enquanto isto, o programa de energia nuclear do Irã começou a causar preocupações entre os líderes mundiais a partir de 2004. A natureza secreta de boa parte do programa levantou a suspeita de que o principal objetivo do programa é a produção de uma arma nuclear. Declarações anti-semitas feitas pelos líderes políticos de Teerã levaram muitos a concluir que Israel seria o alvo principal de um míssil nuclear iraniano. Ambos, EUA e Israel acreditam que devem traçar os planos para bombardear as instalações nucleares iranianas e impedirem-nos de produzirem esta arma. Para Israel, isto envolveria um ataque de longo alcance contra vários alvos protegidos por uma sistema de defesa aérea relativamente eficiente. Antes de 1998, a força de caças de primeira linha israelense eram equipadas principalmente com caças monoplaces, exceto os F-4E Phantom e alguns F-16D, que eram ideais para operações próximas a fronteira israelense. Desde esta data, a força aérea começou a progressivamente se reequipar com caças biplaces, como o F-15I e F-16I, ambos equipados com tanques de combustível extras acoplados a fuselagem. Estas aeronaves são capazes de missões de ataque de longo alcance. Recentemente a IASF também adquiriu um Gulfstream EW e AEW, o que lhes deu a capacidade de cegar os radares inimigos e de controlar o espaço aéreo ao redor dos caças. A frota de aviões tanque operados pela IASF é capaz de reabastecer todos os jatos de linha de frente, incluindo os Gulfstreams, assim se houver a necessidade de um ataque à longa distância, certamente a IASF possui os meios necessários para fazê-lo.

Referências:

Guia de Armas de Guerra – Força Aérea de Israel – Volume 1

http://www.aeroflight.co.uk/waf/aa-mideast/israel/af/israel-af-hist.htm

http://www.scramble.nl/il.htm

http://www.oocities.org/capecanaveral/hangar/2848/gallery.htm

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