Operações dos Tu-22 contra a 6ª Frota da US Navy

Encontrei este artigo no site Orbat quando procurava informações sobre a ordem de batalha da US Navy nos anos 80, especificamente no Mediterrâneo. De acordo com o autor o artigo foi originalmente publicado em um site russo porém, infelizmente, a origem foi perdida. Esta tradução/adaptação foi feita por mim, desta forma a responsabilidade por quaisquer erros ou imprecisões da passagem do inglês para o português também é minha. O site Orbat.com possui muito material interessante, principalmente para aqueles que se interessam por wargames, criação de campanhas ou história militar em geral.

Grupo de Batalha de Porta-aviões

Grupo de Batalha de Porta-aviões

O 46º Exército Aéreo da Aviação Estratégica Soviética (Dalnaya Aviatzia) tinha duas missões principais: atacar importantes alvos da OTAN no território europeu e os grupos de batalha de porta-aviões da 6ª Frota Norte-Americana no Mediterrâneo.

O reconhecimento inicial era a tarefa de dois regimentos equipados com os Tu-22R: o 199º e o 290º. O 199º Regimento estava baseado em Nezhina na Ucrânia e sua zona de responsabilidade compreendia a Europa Central, incluindo a Alemanha e a Áustria, e as regiões ao sul, incluindo Turquia, Grécia, o Mar Negro e o Mediterrâneo Oriental. A zona do 290º Regimento baseado em Zubrovka na Russia incluía o Báltico, a Dinamarca e a Escandinávia, a Peninsula de Kola e as águas costeiras do Mar da Noruega.

Tu-22R

Tu-22R

Em tempos de paz estas unidades treinavam sobre Volga e no Mar Cáspio. O Mar Cáspio também era usado para treinamento de ataques com mísseis contra alvos navais. Outra função destes regimentos era a de agirem como batedores nas rotas antes dos ataques com mísseis, especialmente para a 15º Divisão de Bombardeiros que tinha como objetivo os Grupos de Batalha de Porta-aviões (CVBG).

A 15º Divisão de Bombardeiros incorporava os 121º e o 203º  Regimentos de Bombardeiros Pesados de Longo Alcance,  baseados  respectivamente em Machulishti e Baranovichi na Bielorussia, e o 341º em Ozerno na Ucrânia. Os ataques deveriam ser auxiliados e guiados por diferentes equipamentos de reconhecimento como radares de alvos de alta frequência baseados em terra, “traineiras” que seguiam os navios dos EUA como uma sombra, e outros meios marinhos, inclusive submarinos. Porém estes auxílios poderiam dar apenas a localização aproximada dos navios, mas não a posição precisa do alvo e a seleção dos porta-aviões entre os outros navios. Esta era a complexa missão dos Tu-22R.

Tu-22K Blinder

Tu-22K Blinder

Uma tarefa básica contra a 6ª Frota deveria ser executada por 4 Tu-22R, vindos de estados aliados nos Balcãs. Se necessário, cobertura de caças seriam fornecidas em alguns trechos da rota. Para evitar uma detecção antecipada, os aviões deveriam se aproximar do grupo de batalha a baixa altitude. Próximo ao alvo um par faria uma subida brusca, enquanto o outro deveria entrar no centro do grupo. A responsabilidade do primeiro par era  interferir nos radares inimigos e efetuar a retransmissão dos dados fornecido pelo segundo par, que havia entrado no meio do grupo de batalha. Este tinha a missão mais perigosa – localizar precisamente o porta-aviões dentro do grupo. Normalmente esta identificação deveria ser por contato visual, porque o radar no modo de varredura de superfície tinha dificuldades para identificar precisamente o alvo. Imediatamente após a aquisição do alvo os dados deveriam ser transmitidos através do primeiro par para os Tu-22K de ataque.

Os Tu-22K da 15º Divisão de Bombardeiros deveriam que atacar em regimentos – grupos de 24 a 30 aviões mais 4 a 8 Tu-22R de ECM (Contra-medidas eletrônicas). O ataque deveria ser lançado de fora do alcance das defesas aéreas, teoricamente a 500 km de distância se o bombardeiro voasse a 14 mil metros de altitude e a 1720 Km/h, ou a 400 km a 10 mil metros de altitude e 950 km/h respectivamente. Na prática, os mísseis deveriam ser lançadas de 250 a 270 km devido a necessidade de orientação por radar. Os pilotos automáticos dos mísseis de ataque de longo alcance eram programados para voar a 22,5 mil metros e a repentinamente mergulharem no alvo a velocidade de 1400 a 1720 km/h, ativando os radares de busca dos mísseis no estágio terminal, a não ser que se utilizasse uma ogiva nuclear quando o radar de busca não era necessário.

Kh-22/AS-4 Kitchen

Kh-22/AS-4 Kitchen

O míssil ar-superfície Kh-22/AS-4 “Kitchen” tinha um motor de combustível líquido com hidrazina e oxidante ácido de nitrogênio. Depois de lançado o piloto automático pré-programado, o rádio altímetro e o Doppler guiavam o míssil até o alvo. No estágio intermediário, o piloto automático giro-estabilizado tomava o controle. Havia dois modelos básicos de ataque ao alvo. Para ataques a baixa altitude o AS-4 subia até 12 mil metros mas na fase terminal mergulhava para uma altitude abaixo de 500 metros a Mach 1.2. Contra alvos marítimos, o AS-4 subia até 27 mil metros e mergulhava a Mach 2.5. Detonadores de impacto eram usados para as ogivas convencionais, já para ogivas nucleares diferentes tipos de detonadores estavam disponíveis. Mesmo a ogiva convencional criava um buraco de 20 metros quadrados de área e 12 metros de profundidade.

Modo de ataque do Kh-22

Modo de ataque do Kh-22

Enquanto os Tu-22K estariam se preparando para iniciar o ataque, os Tu-22R deveriam dissimular o ataque através de diferentes sistemas de ECM. Isto deveria impedir o lançamento dos SAMs (míssil superfície-ar) Standard contra os bombardeiros e mísseis.

F-14 Tomcat

F-14 Tomcat

No início dos anos 1970 esta tática passou a ser questionada devido a entrada em serviço do binômio E-2C/F-14. O F-14 foi especialmente projetado para enfrentar a ameaça soviética de mísseis anti-navios lançados do ar. As patrulhas de longo alcance do Tomcat, o poderoso radar e seus  armamentos forçavam os bombardeiros soviéticos a atacarem dentro da cobertura dos AIM-54 Phoenix.

Fonte: Orbat.com

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